João Gordo: Contando para Marília Gabriela o rolê com Kurt Cobain

 

No programa De Frente Com Gabi exibido no SBT em 10 de novembro de 2013, João Gordo falou sobre como conheceu Kurt Cobain, como quase morreu por overdose, sobre amor, filhos, a origem do apelido Gordo, traição do movimento punk, Dado Dolabella, políticos e muitos outros assuntos. Assista abaixo.

 

Fonte:Ratos De Porao | Nirvana

 

Anúncios

Shadowside: entrevista com a banda para o JacareZine

 

942582_10151759508704881_1395671470_n

 

Shadowside é atualmente uma das bandas brasileiras de maior renome fora do país. A banda que ganhou destaque no cenário mundial logo no início da carreira já se apresentou com grandes nomes como: Nightwish, Primal Fear, Helloween, Gamma Ray e entre outros. Com seu último lançamento “Inner Monster Out” (2011) a banda mostra sua evolução e amadurecimento, um disco que levou a banda ao topo do metal nacional.

Dani Nolden, vocalista da banda Shadowside cedeu uma entrevista exclusiva ao JacareZine, e falou um pouco sobre o início da carreira, da premiação como melhor vocalista de rock/metal do Brasil, carinho pelos fãs e o sucesso da banda.

1- Este ano, a Shadowside completa 13 anos de carreira e está no auge, mas quais foram as dificuldades enfrentadas pela banda lá em 2001?

Dani Nolden: Inexperiência, principalmente. Quando você está começando, não tem muita ideia de como as coisas devem ser feitas, não sabe como divulgar o trabalho, não sabe como lidar quando o sucesso começa a chegar, especialmente porque ele sempre vem acompanhado de críticas, algumas construtivas, outras não, porém no início não sabíamos diferenciar uma coisa da outra. O começo foi complicado porque nenhum de nós sabia muito bem o que estava fazendo (risos). Não tínhamos estrutura alguma, fazíamos tudo apenas na vontade. Era divertido, sem sombra de dúvida… o início foi uma época bastante passional da banda, quando éramos um grupo de adolescentes com muitos sonhos, armados de coragem e amor pela música. Éramos bem inocentes tanto como pessoas quanto como músicos. Porém aos poucos fomos aprendendo, profissionalizando a banda, sem deixar de lado essa paixão pelo heavy metal. Acho que toda banda passa pelas mesmas dificuldades. Muitas acabam desistindo sem saber do potencial que elas tem.

2- Já em relação a você ser mulher e vocalista da banda, sofreu algum tipo de preconceito? Portas foram fechadas ou abertas por isso?

Dani Nolden: Não sofri preconceitos… e sinceramente, acredito que portas não se abriram nem se fecharam por eu ser mulher. Não faz muita diferença, porque organizadores de show querem bandas que levam fãs aos shows e gravadoras querem bandas que vendem álbuns, e eles não estão nem um pouco interessados se tal banda é formada por homens ou mulheres. E eu também sinceramente acredito que o público também não se importa, o que eles querem é boa música. Existe uma ideia errada de que algumas mulheres também vendem pela aparência, mas eu realmente não acredito nisso. Acho que uma aparência e uma foto interessante podem chamar a atenção em um primeiro momento, mas se a música for ruim, não vai adiantar. A única dificuldade que tivemos no início foi de deixar claro que não éramos uma banda de metal gótico ou sinfônico, pois aparecemos bem na época em que toda banda com vocal feminino queria ser o Nightwish e o mercado ficou um pouco saturado. Hoje já não existe mais esse pré-julgamento de que uma banda com vocal feminino deve ser gótico… pode até ser, mas também existem tantas bandas com mulheres de tantas vertentes diferentes que ninguém mais tenta adivinhar qual é o som de uma banda só porque tem uma mulher na formação.

3- Em 2002, vocês abriram um show da banda Nightwish. Qual foi a sensação de estar tocando pra tanta gente e ter uma receptividade tão boa no início da carreira?

Dani Nolden: Foi assustador (risos). Estávamos bem no comecinho da banda… foi nosso sexto show! Então você pode imaginar como estávamos aterrorizados (risos). Combinamos entre nós que se tudo desse errado naquela noite, encerraríamos as atividades e começaríamos de novo com outra banda, afinal estávamos no comecinho mesmo e ainda em tempo de começar do zero. (risos) Porém tudo correu tão bem que no final do show, ficamos meio perdidos, porque não esperávamos isso. Nos perguntávamos “e agora? O público gostou… o que fazemos agora?” (risos) Decidimos que se tínhamos algo que havia agradado, que levaríamos isso adiante e buscaríamos o profissionalismo.

4- Vocês já tocaram com muitos artistas importantes, mas esta recente tour com Helloween e Gamma Ray pela Europa foi algo bem impactante, principalmente aqui no Brasil. O que você pensa em repetir a dose mais uma vez?

Dani Nolden: Por que não? Seria muito legal! Todas as bandas e equipes se deram muito bem, fomos tratados com extremo respeito o tempo todo, então novamente seria um honra. O público europeu foi fantástico o tempo todo e em vários lugares, grupos de brasileiros apareciam por lá, alguns deles nos seguiam pelos shows na Itália e levaram a bandeira do Brasil. Sem dúvida seria novamente uma tour muito legal, porém eu acharia ainda mais interessante se isso acontecesse aqui no Brasil, onde o público ainda não teve a oportunidade de ver as três bandas juntas.

5- No ano passado, você foi eleita pela 3ª vez consecutiva a melhor vocalista de rock/metal do Brasil. Isso em uma votação feita pelos seus próprios fãs, isso mostra que há uma legião de fãs que a admira muito. O que você sentiu ao ganhar essa votação pela 3ª vez? Há uma relação de respeito e até mesmo de carinho entre você e seus fãs?

Dani Nolden: Sim, sem dúvida alguma. Eu sou muito grata a todos os fãs, tanto pelo apoio quanto por todo o carinho que eles sempre demonstram. As pessoas sempre chegam pra conversar com um sorriso enorme no rosto, não tem como não gostar de falar com os fãs quando essas pessoas demonstram tanta felicidade em ver você, em curtir a música que você fez com tanto esforço… isso ilumina o dia de qualquer um! E é por causa dessas pessoas que a banda está onde está… eu não me sinto nem me acho a melhor em coisa alguma, eu vejo essas pesquisas apenas como um reflexo de como os fãs estão envolvidos comigo e com a banda. Eles são o “quinto membro” da banda. Procuramos fazer de tudo para que eles se sintam parte das nossas vidas, do trabalho, já que todos os resultados são graças a eles.

6- Pra finalizar, você como frontwoman de uma banda de heavy metal, o que acha do cenário musical independente de hoje em dia? Acha que falta apoio pra essas bandas terem seu espaço e conquistarem fãs?

Dani Nolden: Vou correr o risco de soar polêmica… mas não acho que falta apoio nem espaço. Em alguns casos falta ambição, em outros falta profissionalismo… mas não na música. Muitas vezes a música é simplesmente excelente, porém as bandas esquecem que hoje em dia não existe mais espaço para a inocência. Não há mais como ser apenas músico, tocar todo final de semana e achar que vai ser descoberto por um empresário… e também não há como ser bem-sucedido criticando quem está conquistando seu espaço. Qualquer um que faça um trabalho de qualidade pode conquistar seu espaço… basta analisar friamente o que as outras bandas estão fazendo que está dando certo e ter coragem de colocar a banda na estrada, mesmo sob as piores condições. Já passamos fome e frio no meio de turnês pela Europa por pura falta de verba, mas seguimos em frente mesmo assim. Esse é o segredo para o sucesso, na minha opinião. Talento existe, e de sobra.

Agradecimentos: Dani Nolden e The Ultimate Music
Perguntas elaboradas por: Gabriela Oliveira

Fonte: Fonte: JacareZine

 

Shadowside: Prova que é possível ter sucesso com Metal no Brasil

Determinação, profissionalismo e, obviamente, muito talento musical. Isso é o que leva uma banda a se sobressair as demais, o que a faz saltar do anonimato para o reconhecimento do público. O que parece simples, mas que poucas bandas nacionais nos dias de hoje tem conseguido, visto a feroz concorrência, principalmente com relação as bandas internacionais. Uma tarefa difícil, mas não impossível, como a Shadowside tem demonstrado nos últimos anos. 3 ótimos discos, turnês de sucesso no Brasil e lá fora, consolidando seu nome como uma das principais bandas do país. Nessa entrevista a vocalista Dani Nolden fala mais sobre essa batalha, a carreira da banda, curiosidades sobre a vida na estrada e o que o futuro nos trará dessa banda, que em apenas uma década, já marcou seu nome no cenário nacional…

1404584068_01

Vicente – Após pouco mais de uma década e três discos lançados, como você vê a trajetória do Shadowside nos dias de hoje? Como foi o começo de tudo para a banda?

Dani Nolden: O começo foi recheado de sonhos, mas com poucos planos reais para o futuro, porque ninguém naquela época, nem mesmo nós, pensávamos que os sonhos poderiam se tornar realidade um dia. Eles pareciam tão distantes… no início, o sonho de gravar um álbum parecia impossível, mas ele se realizou. Depois, o sonho de tocar com grandes artistas que haviam nos influenciado parecia muito distante, mas ele acabou acontecendo também. E então sonhamos em fazer shows internacionais… depois turnês internacionais… e o que parecia maluquice de adolescente acabou se tornando nossas vidas. A trajetória do Shadowside é basicamente essa… uma mistura de loucura e dedicação suficientes pra dar uma chance aos nossos sonhos impossíveis!

 

1404584068_02

 

Vicente – Seu último disco é o aclamado “Inner Monster Out”, lançado em 2011. Após esse tempo, como avaliam este álbum. Como se deu todo o processo de gravação e composição do mesmo?

Dani Nolden: Nós trabalhamos no álbum como uma banda, pela primeira vez. Todo o processo no passado foi meio individual, cada um fazia suas ideias e por falta de tempo ou comunicação, acabávamos não trabalhando muito no material como uma banda, com todo mundo dando ideias, modificando as demos, dando realmente a cara do grupo para as músicas. Porém, decidimos que seria diferente dessa vez, o que tornou o processo muito mais divertido, agradável e leve pra todo mundo, porque a responsabilidade não ficou nas costas de uma ou duas pessoas, e todo mundo teve a chance de participar da criação. O fato de decidirmos que não pararíamos de trabalhar nas músicas enquanto todos não estivessem satisfeitos e que faríamos apenas o que gostamos, fez uma enorme diferença no resultado final. Para a gravação, nos trancamos durante três semanas em um estúdio em Gotemburgo, Suécia. Literalmente moramos dentro do estúdio durante esse tempo, o que nos permitiu ter foco completo na gravação. Uma gravação nossa nunca fluiu tão bem quanto à gravação do Inner Monster Out.

Vicente – E um novo álbum em breve? Creio que todos os fãs da banda estão ansiosos por um novo petardo do Shadowside.

Dani Nolden: Estamos planejando! Já temos boas idéias e trabalharemos nelas ao longo do ano, enquanto fazemos os últimos shows do ciclo do Inner Monster Out. Acredito que entraremos em estúdio para gravar no início do ano que vem.

Vicente – A Shadowside foi uma das bandas responsáveis por desmitificar aquela ideia de que um grupo com uma vocalista bonita normalmente já era taxado como uma banda de Gothic Metal, como existiam as centenas no inicio do século. E, ao fugir desse lugar comum, abriram portas para muitas bandas de Power/Heavy Metal que surgiram em nosso país nos últimos anos. Acreditam que hoje em dia o público está mais “mente aberta” do que alguns anos atrás?

Dani Nolden: Eu não diria “mente aberta”, porque acho que o público sempre teve a mente aberta, mas certamente hoje as pessoas não esperam necessariamente uma banda de Gothic Metal ao ver uma mulher na banda, então acho que não existe mais o conceito formado de que uma mulher faz apenas Gothic Metal… uma mulher faz Gothic Metal, mas também faz Power, Thrash, Death, Hard Rock e tudo mais que existe dentro do Rock e do Heavy Metal. Sempre foi assim, mas hoje existem representantes em maior número que deixam isso mais claro. As mulheres passaram a se interessar e acreditar mais, então não existe mais uma associação de um estilo específico ao universo feminino.

1404584068_03

Vicente – A Shadowside tem feito turnês exitosas no exterior nestes últimos tempos, um desejo de toda banda, mas que poucas conseguem alcançar. Como foram essas experiências para vocês?

Dani Nolden: É a sensação de um sonho realizado, ao mesmo tempo que temos consciência de que isso significa trabalhar ainda mais e lutar ainda mais para continuarmos na estrada. Quanto mais crescemos, maiores se tornam as responsabilidades, as demandas, então é claro que vivemos coisas incríveis como os grandes públicos, os lugares que conhecemos e que nunca imaginávamos que visitaríamos, porém nada vem fácil e definitivamente não permanece fácil. Sentimos-nos honrados de estarmos nesse momento, sendo uma das bandas representantes do Brasil lá fora e fazendo shows bem legais tanto aqui no Brasil, quanto no exterior.

Vicente – A vida na estrada sempre traz alguns momentos mais alegres e outros mais constrangedores. Qual teria sido o melhor e o pior momento em turnê?

Dani Nolden: O pior momento sem dúvida foi em 2010, quando nosso tourbus quebrou e nos vimos em uma situação extremamente delicada no meio da turnê. Quando você é escolhida como banda de abertura de uma grande banda como o WASP, que foi o caso em 2010 na Europa, você tem certas responsabilidades… e uma delas é estar lá em todos os shows, obviamente. Não há sentido para a banda principal escolher uma banda de abertura que não pode estar lá fazendo o seu papel: agitando o público e o deixando pronto para o show principal. Então quando isso aconteceu, conversamos com o tour manager do WASP, que não gostou nem um pouco da situação e basicamente tivemos que escolher entre dar um jeito ou voltar pra casa. Na verdade, voltar pra casa passou a ser uma grande possibilidade durante todo o restante da turnê, porque todo o dinheiro que tínhamos foi no conserto do ônibus e no aluguel de um carro para continuarmos a turnê. Enquanto nosso manager ficou pra trás, esperando o ônibus ficar pronto, a banda seguiu viagem de carro. Nosso baterista dirigia após o show e ficávamos exaustos porque não dava tempo de dormir em lugar nenhum. No ônibus, temos nossas camas com as cortinas e podemos dormir tranquilamente durante a viagem, porém isso não é possível em um carro… mas tínhamos que cumprir os compromissos. Para completar tudo isso, fomos assaltados na Espanha e levaram tudo que nos restava, que era o dinheiro da nossa alimentação. Tudo isso nos deixou sem qualquer reserva financeira e passamos a contar com o dinheiro das vendas de CDs e merchandise de um show para levantar recursos para comer e chegar ao show seguinte. Se em um dia não vendêssemos o suficiente, teríamos que voltar pra casa. Felizmente o público gostou bastante da banda e vendemos o suficiente para bancar toda a turnê e ainda voltar com alguma coisa pra casa. Mas ficamos tensos durante a turnê inteira, pois não sabíamos se aquele seria o último show ou não. Essa foi a pior experiência que tivemos na estrada, sem dúvida alguma. Porém a melhor acontece todos os dias, especialmente quando a banda está vivendo uma situação complicada como essas… o carinho do público, a galera gritando o nome da sua banda ou cantando as suas músicas. Isso faz tudo valer a pena.

Vicente – Ao se apresentar lá fora, qual foi a principal diferença que percebeu no cenário musical em outros países para o sempre complicado cenário nacional?

Dani Nolden: O que eu percebo é que lá acontecem shows de domingo a domingo. Ninguém se importa de ir a um show na segunda-feira, porque já é algo comum, eles sabem que o artista fica em turnê durante um período e precisa aproveitar o caminho, a rota da viagem. Aqui no Brasil ainda é difícil fazer isso, e parte disso é pelo custo alto de se viajar dentro do país. A estrutura de lá também ainda é bem melhor, apesar de existir já há algum tempo todo o equipamento disponível aqui no Brasil também, mas lá se compreende a necessidade de se fazer eventos com som excelente, com condições para que o músico apresente seu melhor e que o público aproveite um espetáculo que envolve não apenas a audição, mas também a visão com iluminação de primeira, que realmente vale o ingresso que ele pagou. Pouco a pouco isso está mudando no Brasil. Já fizemos alguns eventos bem legais aqui no Brasil e em lugares que sofrem muito preconceito, como em Paulo Afonso, na Bahia, onde o organizador fez um evento incrível mesmo em um local pequeno e afastado, ou em Belo Horizonte, onde tivemos toda a estrutura necessária. As coisas aqui estão começando a mudar porque os organizadores de shows também estão se profissionalizando e querem ver a cena crescer. Estou bem contente com as mudanças que estão acontecendo e acho que logo não precisaremos mais comparar o Brasil com a Europa, pois tudo será igual com relação aos eventos.

1404584068_05

Vicente – E os planos futuros da banda? Como está a agenda de shows da Shadowside?

Dani Nolden: Faremos mais alguns shows antes de encerrar a turnê promocional do “Inner Monster Out”, acredito que ainda acontecerá mais alguma coisa no Brasil e temos um importante show nos Estados Unidos, em Setembro.

Vicente – Dani Nolden, em poucas palavras, o que acha das seguintes bandas:

Judas Priest: Uma das minhas bandas favoritas. Foi uma das primeiras bandas de Metal que ouvi e gostei.

Helloween: Uma grande influência no início da minha carreira. Hoje não é um estilo que escuto com frequência, mas sem dúvida ajudou a moldar minha formação musical.

Saxon: Não é uma banda que eu escuto muito. Gosto de algumas músicas, respeito a importância deles para o metal, mas não me considero fã.

Iron Maiden: O primeiro cover que cantei foi de Iron Maiden, como muita gente começando… foi Fear of the Dark, quando eu tinha 14 anos. Soou simplesmente horrível, é claro (risos). Abrimos para eles no Rio de Janeiro, em 2011, e foi um dos momentos mais especiais da minha vida.

Angra: Uma das bandas que eu tive como referência desde o início da minha carreira. Eles não me influenciaram muito musicalmente, mas sempre tive respeito pela banda e sempre os vi como referência de qualidade no Brasil.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Shadowside e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Dani Nolden: Muito obrigada a todos que nos apoiaram durante todos esses anos, a todos que estão lendo e ficaram curiosos para escutar a banda – espero que gostem! – e muito obrigada também pelo espaço. Vejo todos vocês na estrada em breve!

??????????

Fonte: Witheverytearadream